Arquivado em: Treinamento
Por que ainda não temos uma medalha de Ouro Olímpica? Não somos o país do Futebol? Não exportamos craques? Não temos os melhores jogadores considerados pela FIFA e pelo mundo?
A seleção olímpica conta com jogadores de até 23 anos, podendo três ter idade superior a esta. Nessa faixa etária temos grandes jogadores em grandes equipes no Brasil e lá fora, temos o Anderson no Manchester, o Lucas no Liverpool, o Hernanes aqui no São Paulo, entre outros.
O Brasil tem um plantel de bons jogadores até 23 anos, alguns com mais bagagem e experiência e outros nem tanto, por isso o COI (Comitê Olímpico Internacional) permite três atletas acima dessa idade, assim, na teoria esses jogadores equilibrariam o time.
Tem equipes que usufruem dessa regra, outras não! Nossos Hermanos já anunciaram que levarão os três atletas acima de 23 anos, provavelmente irão Riquelme (meio-campo), Mascherano (meio-campo) e Demichelis (zagueiro), corre por fora o Cambiasso (meio-campo) e o Milito (atacante). O treinador deles não é o mesmo da seleção principal.
Aqui o treinador, que é o mesmo da seleção principal, não sabe se levará esses atletas acima da idade e quais serão. O Robinho se dispôs a ir, já o Kaká não quer briga com o Milan.
Toda equipe se faz com treino e este se faz com tempo. Para Copas do Mundo e Olimpíadas normalmente o tempo de preparação é curto e no caso do Brasil ainda dividimos os poucos amistosos entre avaliar o time para as eliminatórias e para as olimpíadas, porém com foco maior no primeiro.
Todas as posições de uma equipe são importantes, e todos devem ter tranqüilidade para executar a sua função, porém se um atacante falha, ele não faz o gol, ou se perde uma bola é possível o meio campo e a defesa arrumar o seu erro, recuperando a posse de bola, porém se um zagueiro falhar as chances de gol do adversário são grandes e um meio campo afobado não conseguirá fazer a bola chegar “redonda” ao ataque, além de perdê-la dificultando para a defesa recuperá-la.
Na minha opinião, se eu fosse treinador eu levaria os três acima da idade e faria uma preparação separada do time principal, que tem foco nas eliminatórias! Seriam duas comissões, dois times.
E como treinador da Seleção Olímpica levaria um meio campo, um zagueiro e um goleiro, sendo o meio campo um articulador de jogadas, com bons passes e boa posse de bola.
Nenhuma equipe chega aos campeonatos com tanta badalação como a nossa! Somos sempre favoritos a tudo! Tanto que foi a maior repercussão não participarmos da última Olimpíada! Muitas equipes chegam com desconhecidos procurando um lugar ao sol, ou com jogadores que são possíveis promessas.
E por isso ás vezes a ansiedade e afobação pesam, pois os nossos já chegam sendo cobrados e também por isso eu faria um trabalho em separado com a seleção principal e levaria os três atletas para conseguir passar a real importância de uma medalha de ouro olímpica e a tranqüilidade necessária para isso.
Os trabalhos devem ser muito bem planejados, pois os que jogam no exterior estarão no fim da temporada e muitos em férias, já os daqui estarão no meio do calendário dos jogos nacionais.
Agora é esperar! Daqui a quatro meses começarão os jogos! Estarei na torcida pelo Futebol e por todas as outras modalidades que o Brasil disputa, mesmo aquelas sem expressão e ainda mais para aquelas que os atletas são amadores, treinam por conta própria e com recursos próprios.
por Linneu Netto
Arquivado em: Treinamento
Qual seria o processo de formação ideal para um treinador de futebol? Qual seria o conteúdo, quais matérias, métodos e duração do curso? Deveria ser um curso de nível superior ou de nível técnico? Ou somente ser ex-atleta basta?
No Brasil a grande maioria dos treinadores eram ex-atletas, desses tem aqueles que fizeram o curso de Educação Física, outros que fizeram cursos de extensão ministrados por instituições ligadas ao futebol e uns que nada fizeram, apenas passaram de dentro das 4 linhas para atuar fora delas.
E existe no Brasil um número quase que inexpressivo de treinadores que não foram atletas profissionais, porém que tiveram êxito como treinadores, o mais famoso é o Carlos Alberto Parreira.
Desses ex-atletas tem o que era craque, Falcão, que não virou como treinador e o perna-de-pau, Felipão, que obteve mais êxito. Por quê? Hoje na seleção brasileira temos um treinador que tem como formação ter sido atleta profissional, nada mais!
Tem treinador que só deu certo num time, têm outros que só atuam num estado e vários que tem uma carreira longa, mas sem nenhum título relevante. Também tem os treinadores que são os salvadores do rebaixamento, outros que são os reis do acesso.
Alguns profissionais que não obtêm êxito se queixam da estrutura do clube, outros do plantel, têm aqueles que reclamam do calendário, outros se queixam de complôs de árbitros e dirigentes e têm aqueles que reclamam dos gramados.
Hoje em dia é comum ouvirmos de um jogador que foi jogar no exterior que ele amadureceu, aprendeu a marcar, a atacar, a fazer transições defensivas e ofensivas e não rifar a bola.
Já ouvi algumas pessoas falarem que o Robinho aprendeu a fazer gols e tocar a bola no Real Madrid, lá ele aprendeu a jogar para o time, antes ele era individualista e driblava sem objetivo. Mas e os nossos treinadores? Não podiam ensinar isso e outras coisas a ele? Foi preciso sair do país para aprender?
Nossos treinadores dominam o que é tática? Apenas jogando você aprende sobre isso?
Será que só o conhecimento empírico é suficiente para a formação de um treinador de futebol? Ou é mais importante o conhecimento científico, acadêmico?
Um pedreiro pode saber projetar e levantar uma casa sozinho e esta ser bem construída e segura, porém as chances de um Engenheiro Civil, que não tenha sido pedreiro, planejar e construir uma casa segura e bem construída são bem maiores.
Lógico que se for possível ser atleta e estudar o futebol seria melhor, porém se não foi possível á prática acredito que o estudo preenche essa lacuna.
por Linneu Netto
Arquivado em: Regras do jogo
O futebol possui 17 regras, estas são administradas pela IFAB (International Football Association Board) que por sua vez é vinculada a FIFA (Fédération Internationale de Football Association) que é a mandatária do futebol mundial.
Analisando as regras do jogo, a evolução do futebol, o objetivo do mesmo e o dinamismo dessa modalidade vemos que nesse esporte as regras não estão de acordo com o objetivo do jogo, em mais de 100 anos de existência as alterações foram mínimas e tiveram pouco impacto para o dinamismo das partidas.
O Objetivo do Futebol é fazer gol, porém muitas partidas passam sem eles, diferente de outros desportos coletivos em que a pontuação ocorre a todo o momento, como no vôlei, basquete, futsal, handbol, entre outros.
A regra do futebol também beneficia o infrator, pois pode-se cometer o anti-jogo, a falta, á todo momento. Se chegar atrasado na bola é só segurar o adversário e de 50 faltas num jogo, apenas algumas são punidas com cartão amarelo ou vermelho, sendo que o último tira o jogador da partida, deixando-a ainda menos dinâmica. No Futsal o número é limitado a cinco faltas por equipe, depois disso é tiro livre direto, se alguém levar um cartão vermelho fica fora do jogo por 2 minutos ou até sua equipe levar um gol, no basquete na quinta falta individual o jogador está fora da partida, fora os arremessos livres dependendo da falta sofrida.
Nas modalidades acima temos mais de um árbitro num espaço bem inferior ao de um campo de futebol e não vemos partidas serem decididas por eles, seja pela omissão ou pelo erro!
A visão fóvea é responsável pelo foco e a periférica pelo raio que está em volta do foco e esta tem um limite. É muito difícil uma pessoa ver com precisão de onde saiu à bola e ao mesmo tempo onde está o atacante e o último defensor, por isso vemos muitos erros de impedimento, além dessa regra ser mais uma forma de impedir o gol, o objetivo do jogo.
O tempo de bola rolando nessas modalidades é realmente a duração da partida, pois o cronômetro sempre pára quando a bola não está em jogo, já no futebol temos partidas em que a bola fica mais fora de jogo do que em jogo, no basquete inclusive tem um tempo para efetuar a ação ofensiva e finalizar.
Para ficar mais dinâmico o vôlei mudou a regra da vantagem, os pontos são diretos, isso tornou a modalidade mais visível e mais entusiasmante e no país do futebol é comum vermos ginásios lotados e estádios vazios.
Tudo na vida do ser humano é uma questão de evolução, sempre mudados, alguns são resistentes a isso, mas é isso que move a vida. Com simples alterações nas regras podemos dinamizar o futebol e torná-lo mais atraente, mais disputado e com menos interferências dos juizes que estão ali apenas para moderar a partida e não decidi-la. Eles erram não por incompetência e sim pela dificuldade de execução das regras.
Alterando as regras estarão se quebrando paradigmas e assim mudanças nos sistemas de jogo e consequentemente das ações nele contidas tornando as partidas mais dinâmicas, com mais realizações do seu objetivo, o gol e entretendo o público e os atletas.
Por exemplo, o Valdívia procura e sofre muitas faltas, se estas fossem limitadas certamente veríamos mais dribles dele e um sistema de marcação novo, pois as ações ofensivas seriam mais presentes.
por Linneu Netto.
Arquivado em: Trabalho de Base
Qual o processo de formação ideal para um atleta de futebol? Que pontos devemos abordar? Como trabalhar? Quais metodologias? Em qual idade devemos iniciar? A quem cabe esse papel? Aos clubes, escolas, ou escolinhas de futebol?
Hoje vemos muitas escolinhas de futebol espalhadas pelo país. Será que elas formam um atleta? E as categorias de base de um clube? Qual trabalho é feito lá?
De acordo com a lei, no Brasil apenas maiores de 16 anos podem assinar um contrato profissional com algum clube, mas é comum vermos garotos de 14 e 15 anos alojados neles, ou em algum imóvel que pertença ao mesmo. Estes participam de Campeonatos representando essas agremiações.
No estado de São Paulo existe o Campeonato Paulista Sub-15 de organização da Federação Paulista de Futebol. Minha indagação; Isso não figura como trabalho? Pois ele veste a camisa do clube, treina de acordo com a proposta do mesmo e dedica parte do seu tempo a isso.
Cada criança tem um ciclo de crescimento, por exemplo, normalmente elas aprendem a ler e escrever na 1ª série do Ensino Fundamental, pois é nesta fase que estão aptas a começar decifrar códigos. Tem umas que aprendem um pouco antes e outras um pouco depois, mas em geral é na 1ª série.
E no futebol? Será que uma criança de 5 anos está pronta para chutar uma bola, como treinar chute ao gol, por exemplo? E para ler o jogo e saber que não precisa todos do mesmo time correr em volta da bola? Quando falamos isso, elas entendem?
Porque vemos atletas hoje no profissional que só jogam com o lado dominante? E o trabalho de bilateralidade? Não foi abordado? Um destro dominante pode ter habilidade com a esquerda. Vide o tenista Rafael Nadal que é destro, mas desenvolveu o lado esquerdo nos treinamentos, ou no futebol o Hernanes do São Paulo, que chuta bem com ambas as pernas.
A criança aprende brincando! Através de jogos, gincanas e atividades que as estimulem! E nessas brincadeiras é possível trabalhar todo repertório motor da mesma, qualificando-a para saltar, rolar, pular, virar, mudar de direção e etc… Ou seja, capacitando-a para ter um repertório motor amplo para a vida inteira.
O Robinho aprendeu driblar brincando de fugir com a bola nos pés do seu cachorro, assim desenvolveu habilidades motoras que o capacitaram a driblar. É comum ter uma criança que se destaca na turma passar a ser mais incentivada e estimulada e ter um que não sabe muito bem chutar, ou correr ser deixada de lado.
Vemos também competições entre escolinhas, mas antes devemos trabalhar a cooperação! Será que essa é trabalhada? Uma criança não está preparada para lidar com fortes frustrações e grandes emoções! É comum ver uma criança que se destaca zombar de uma que tem menos habilidade e esta ser culpada pela derrota da equipe. Com isso acaba abandonando a escolinha e levando frustrações e a outra não desenvolve a cooperação que é necessária no jogo e na vida.
No Brasil a demanda de garotos interessados em praticar futebol é enorme, mas apenas uns se profissionalizam e destes uma minoria se destaca, sendo que a grande maioria tem muitas deficiências e são apenas mais um na profissão. Se somos o país do futebol e ensinamos isso a todos, porque uma minoria vence?
Porque se de fato formássemos jogadores poderia ir embora 800 atletas por ano como ocorreu em 2007 que ainda teríamos planteis qualificados aqui e não teríamos um argentino, um uruguaio e um chileno como destaques dos nossos campeonatos.
por Linneu Netto.
Arquivado em: Treinamento
Porque os clássicos são vistos de forma diferente por alguns jogadores, treinadores, torcedores e jornalistas? O que de fato eles têm de diferente de outros jogos? Será o medo de perder e ser motivo de chacota? Ou por não querer que um adversário teoricamente mais forte que os outros some pontos?
E por que será que os placares são sempre tão justos e muitas vezes os empates prevalecem? Já tivemos 4 clássicos no Campeonato Paulista de 2008 sendo que dois terminaram empatados em 0 a 0 Santos x Palmeiras e Corinthians X São Paulo e outros dois terminaram com vitórias pela diferença mínima São Paulo 3 x 2 Santos e Corinthians 0 x 1 Palmeiras. Nada de goleadas.
A imprensa cobre somente os grandes! Os pequenos são taxados de cavalo paraguaio! Se um time do interior vence o São Paulo ou empata com o time do Morumbi é porque o São Paulo estava ruim e não porque esses times fazem um trabalho sério e competente.
Se alguém errar num jogo sem expressão por parte da mídia ninguém nem vai saber e o assunto não irá repercutir, mas num clássico passa-se a semana falando disso.
Devido à superexposição dessas partidas muitos jogos ficam truncados, uma equipe busca se defender para não levar gol, mas também não busca fazer! Um atleta por medo de errar e ser vaiado faz o básico, dá chutões e faz faltas. O treinador também tem esse medo.
Existem perfis psicológicos, tem jogador que rende mais sob pressão, outros rendem somente com o ambiente tranqüilo e isso reflete no jogo, tem equipe que começa perdendo e continua tranqüila e consegue virar o jogo, já outras se afobam ou se descontrolam e acabam não conseguindo reverter o placar ou ainda perdem jogadores expulsos ou levam goleadas.
Será que se os clássicos fossem encarados como uma partida normal não teríamos jogos melhores? Com mais gols e mais emoções? Todo mundo que faz alguma coisa erra! A omissão evita os erros, mas também evita os acertos!
Uma equipe que se prepara bem ataca e faz gols! Mas caso não faça, já arma uma transição defensiva a fim de evitar o gol adversário. Por outro lado se não tiver essa preparação ela não irá atacar por medo de levar gol. Assim se fecha rebatendo bolas ou a toca no meio de campo e fica na torcida pelo craque do time pegar uma bola e sair driblando todo mundo e marcar um gol.
Se uma equipe trabalha os aspectos psicológicos, ela pode perder um jogo e usar isso como estímulo para se desenvolver mais e se aprimorar mais, revertendo assim situações desfavoráveis, mas caso não ocorra isso uma simples derrota pode atrapalhar com um trabalho de uma temporada inteira.
Assim como deve preparar o atleta para a relação com a mídia que ora o trata como ídolo e craque do jogo ora o julga culpado pelo fracasso do time e o chama de perna de pau!
Num jogo cabe ao atleta resolver situações-problemas em segundos e para isso precisa ter tranqüilidade, caso esteja afobado, nervoso e com medo precisa de mais tempo para resolvê-las e numa dessas já perdeu a bola, a passou errada, furou o chute ou fez falta desnecessária.
por Linneu Netto




