Futebol em Jogo


Formação de um atleta.
6 Março, 2008, 11:31 pm
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Formação de Atleta

     Qual o processo de formação ideal para um atleta de futebol? Que pontos devemos abordar? Como trabalhar? Quais metodologias? Em qual idade devemos iniciar? A quem cabe esse papel? Aos clubes, escolas, ou escolinhas de futebol?

    Hoje vemos muitas escolinhas de futebol espalhadas pelo país. Será que elas formam um atleta? E as categorias de base de um clube? Qual trabalho é feito lá?

     De acordo com a lei, no Brasil apenas maiores de 16 anos podem assinar um contrato profissional com algum clube, mas é comum vermos garotos de 14 e 15 anos alojados neles, ou em algum imóvel que pertença ao mesmo. Estes participam de Campeonatos representando essas agremiações.

     No estado de São Paulo existe o Campeonato Paulista Sub-15 de organização da Federação Paulista de Futebol. Minha indagação; Isso não figura como trabalho? Pois ele veste a camisa do clube, treina de acordo com a proposta do mesmo e dedica parte do seu tempo a isso.

     Cada criança tem um ciclo de crescimento, por exemplo, normalmente elas aprendem a ler e escrever na 1ª série do Ensino Fundamental, pois é nesta fase que estão aptas a começar decifrar códigos. Tem umas que aprendem um pouco antes e outras um pouco depois, mas em geral é na 1ª série.

     E no futebol? Será que uma criança de 5 anos está pronta para chutar uma bola, como treinar chute ao gol, por exemplo? E para ler o jogo e saber que não precisa todos do mesmo time correr em volta da bola? Quando falamos isso, elas entendem? 

     Porque vemos atletas hoje no profissional que só jogam com o lado dominante? E o trabalho de bilateralidade? Não foi abordado? Um destro dominante pode ter habilidade com a esquerda. Vide o tenista Rafael Nadal que é destro, mas desenvolveu o lado esquerdo nos treinamentos, ou no futebol o Hernanes do São Paulo, que chuta bem com ambas as pernas.

     A criança aprende brincando! Através de jogos, gincanas e atividades que as estimulem! E nessas brincadeiras é possível trabalhar todo repertório motor da mesma, qualificando-a para saltar, rolar, pular, virar, mudar de direção e etc… Ou seja, capacitando-a para ter um repertório motor amplo para a vida inteira.

     O Robinho aprendeu driblar brincando de fugir com a bola nos pés do seu cachorro, assim desenvolveu habilidades motoras que o capacitaram a driblar. É comum ter uma criança que se destaca na turma passar a ser mais incentivada e estimulada e ter um que não sabe muito bem chutar, ou correr ser deixada de lado.

     Vemos também competições entre escolinhas, mas antes devemos trabalhar a cooperação! Será que essa é trabalhada? Uma criança não está preparada para lidar com fortes frustrações e grandes emoções! É comum ver uma criança que se destaca zombar de uma que tem menos habilidade e esta ser culpada pela derrota da equipe.  Com isso acaba abandonando a escolinha e levando frustrações e a outra não desenvolve a cooperação que é necessária no jogo e na vida.

     No Brasil a demanda de garotos interessados em praticar futebol é enorme, mas apenas uns se profissionalizam e destes uma minoria se destaca, sendo que a grande maioria tem muitas deficiências e são apenas mais um na profissão. Se somos o país do futebol e ensinamos isso a todos, porque uma minoria vence? 

     Porque se de fato formássemos jogadores poderia ir embora 800 atletas por ano como ocorreu em 2007 que ainda teríamos planteis qualificados aqui e não teríamos um argentino, um uruguaio e um chileno como destaques dos nossos campeonatos. 

por Linneu Netto.



Êxodo de jogadores
22 Fevereiro, 2008, 10:53 am
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Exôdo de Jogadores 

        Vemos no Brasil uma mão de obra de atletas de futebol muito vasta, em cada canto do país existe um campo de futebol. Só no estado de São Paulo são 105 equipes de futebol profissional distribuídas em suas quatro divisões, A-1, A-2, A-3 e B, sem contar os demais filiados. 

        Nesse mesmo país as oportunidades de acesso aos estudos e conhecimento são limitadas a quem tem recurso, nas escolas municipais, estaduais e federais Brasil afora muitas crianças e adolescentes se formam sem saber compreender textos e lêem e escrevem muito mau e com isso minam ainda mais as chances de se desenvolverem profissionalmente.

        Devido ao mercado abundante e a não necessidade de pré – requisitos como línguas, cursos e etc. Muitos garotos buscam no futebol a forma de ascensão na vida, tentam através dele buscar recursos para dar a família um estudo digno, uma assistência médica de respeito, coisas que o nosso governo não nos proporciona.

        Num mercado com tanta mão de obra remunera-se bem apenas as qualificadas, já as outras ou sucumbem ou buscam novos mercados, por isso vemos esse êxodo de atletas. No ano de 2007 foram mais de 800 exportações, a maioria de jogadores que nunca ouvimos falar e de times que nem conhecemos e muitos vão para países sem tradição alguma no futebol, porém que paga corretamente.

        Chegando nesses países uns fazem o chamado pé-de-meia, outros acabam achando a oportunidade de se desenvolverem e se qualificarem e acabam se naturalizando, na Copa do Mundo de 2006 pudemos ver alguns desses “brasileiros” em várias seleções, e outros se aposentam por lá e levam uma vida com a qualidade almejada.

        Ser Brasileiro morando na Espanha, Inglaterra, Alemanha e até em outros países não tão desenvolvidos é fácil. Não conviver com todos os nossos problemas sociais, ganhar em Euro, Dólar ou Petrodolar e vir aqui só para passar férias não ajuda em nada o desenvolvimento do nosso país.

        Ir lá e ver o que os caras têm de bom e trazer para melhorar aqui é excelente, mas melhor ainda é ficar aqui e aqui lutar e achar soluções para desenvolvermos nosso país, o nosso futebol. Ao invés de fazer carreira lá fora e se aposentar aqui desmerecendo o nosso futebol o nivelando por baixo, pois se o atleta está para se aposentar ou é porque não quer mais fazer aquilo, ou porque não tem condição física, ele devia fazer carreira aqui e depois se aposentar lá. Primeiro valorizar o nosso, depois o do próximo.

        O Marcos do Palmeiras e o Rogério Ceni do São Paulo são exemplos disso, estão há anos nas suas equipes e sempre foram valorizados por isso e sempre lutaram por essa valorização. O nosso grande ídolo do futebol, o Rei Pelé, fez o mesmo, construiu uma carreira vitoriosa no Santos e se aposentou no Cosmos dos EUA, ganhou dinheiro, conheceu outra cultura, aprendeu outra língua, mas antes de tudo isso valorizou o nosso futebol.

        Mas além das escolas os clubes também não formam os cidadãos, são poucos os que olham para o lado social, por isso muitos acham que o importante é ganhar dinheiro, mas este acaba! A cultura e o conhecimento não! E com esses você faz dinheiro sempre. Por isso vemos alguns atletas veteranos que não se aposentam, pois se não jogarem futebol não sabem fazer outra coisa. E com isso ficam mendigando de clube em clube, desvalorizando ainda mais o nosso futebol.

Acredito que se olharmos pelo lado de uma formação social podemos iniciar um processo para a retenção de nossa mão de obra e posteriormente uma qualificação da mesma.

por Linneu Netto



Imperador
15 Fevereiro, 2008, 12:02 pm
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Adriano Imperador

        O Adriano Imperador vem numa má fase há dois anos. Porque será? Esqueceu como se joga futebol? Perdeu suas habilidades e capacidades ao longo do tempo? Ultimamente não fez gols e não cuidou do físico.

       Olhando pelos aspectos táticos, físicos e psicológicos vemos claramente um atleta que sempre fez gols pela sua força física, vencia os adversários na base dos encontrões e desferia chutes fortíssimos, em jogada aérea sempre levava vantagem pelo seu porte físico.

       Nesses últimos tempos vimos um Adriano que não ligava para o corpo, pois não treinava e ainda bebia e fumava e com isso perdeu sua única qualidade, pois sem físico não chegava mais na bola, perdia nas trombadas e os chutes não eram mais tão potentes.

       Com isso os gols sumiram, sem os gols, apareceram às cobranças, em conseqüência veio à baixa auto-estima. O Inter de Milão não abandonou seu atleta e vem de todas as maneiras tentando recupera-lo. O emprestou ao São Paulo, que por sua vez também tenta ajuda-lo, mas se o mesmo não quiser ajuda nunca se recuperará.

       Um garoto da categoria Juvenil com os hormônios em ebulição reagiria a uma ofensa com uma cabeçada, mas um atleta profissional e experiente com a bagagem que o Adriano carrega não pode cometer esse erro. Jogar a culpa no adversário ou no juiz é fácil.

        Cada um é responsável pelo seu ato e cada ato gera uma conseqüência, para evitar polêmica bastava ele dar as costas ao adversário e sairia por cima da situação. Essa de eu rabisquei ele porque ele me rabiscou é coisa de criança, por medo de ser punida ela justifica o seu erro pelo erro do outro.

       Se ele tivesse uma leitura tática do jogo, mesmo sem estar no auge de sua forma física os gols continuariam, a mesma coisa se tivesse uma formação psicológica no que tange aos aspectos do jogo de futebol, assim como uma técnica apurada. Mas ele depende só do físico e este ele mesmo abandonou, cabendo somente a ele essa recuperação.

       Analisando os aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos que na minha opinião são os 4 pilares que formam um atleta e uma equipe de futebol, o imperador só domina 1, o físico e por isso está a 2 anos em baixa, mas se tivesse os outros domínios a fase seria melhor, estaria fazendo gols com mais freqüência e não passaria tanto tempo em baixa. 

por Linneu Netto



Neymar, o garoto de mais de R$ 100 milhões.
12 Fevereiro, 2008, 1:06 am
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Neymar            

         Foi publicado recentemente a noticia que o Santos Futebol Clube fechou um contrato com o menino Neymar de apenas 16 anos até 31/12/2011 com uma multa rescisória de 50 milhões de EUROS.        

         Olhando pelos aspectos psicológicos no processo de formação de um atleta será que essa supervalorização e esse endeusamento do menino são benéficos a ele e ao restante da equipe de base que tem que lidar com um ídolo sem mesmo ele ser? No processo de formação de um atleta você tem que prepara-lo para solucionar problemas, ou melhor, entender a dinâmica do jogo e ter velocidade de raciocínio para num menor espaço de tempo transformar uma jogada em gol, ou evitar o gol adversário e esse raciocínio muitas vezes terá que ser feito sob pressão.        

         Hoje o garoto joga com atletas da sua idade e sem pressão de torcida e assédio da imprensa, mas quando chegar à equipe profissional a dinâmica será totalmente outra, os focos estarão todos para ele, indiferente da equipe se encontrar num momento bom ou ruim ele terá que ser a solução.        

         Nesse processo de formação é ponderado isso? Treinadores, dirigentes, ou psicólogos realmente preparam os atletas para a competitividade, para ter tranqüilidade para raciocinar a jogada mesmo em dificuldade? Vemos vários garotos que são eternas promessas, chegam com um status ao time principal e no 1º fracasso da equipe ou deles não conseguem reverter à situação e de promessa de craque passam para micos. No próprio Santos vemos o caso do Renatinho que todos falavam que era o novo Robinho da Vila, mas o que vemos em campo é um jogador comum. O Denílson (ex-São Paulo, atualmente no Palmeiras) que saiu do país como uma promessa de craque numa das transações mais caras do futebol Brasileiro e amargou péssimas temporadas na Espanha, ou o Kaká que fez um ou outro jogo mal no São Paulo e a torcida começou a chamá-lo de pipoqueiro, não agüentou a pressão e na 1ª oportunidade deixou o país para brilhar e ser formado lá fora, segundo ele, amadureceu muito no Milan, pois tinha todo o aparto necessário para desenvolver os aspectos psicológicos a fim de se tornar um atleta de ponta.        

         Cada individuo tem um tempo de amadurecimento, não necessariamente uma pessoa de 15 anos que hoje tem bom domínio de bola e se destaca dos outros no conhecimento dos fundamentos do futebol será também aos 18 anos melhor, pois nesse período o outro pode se desenvolver mais e chegar aos 18 anos com um domínio dos aspectos do futebol bem melhor.           

         E nesse endeusamento de um garoto o clube pode estar ofuscando outros possíveis bons atletas. Para um trabalho realmente de formação e não o de um descobrimento, o aspecto psicológico é fundamental no processo de formação.      

por Linneu Netto

     



O Craque é nato?
7 Fevereiro, 2008, 8:23 pm
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     O garoto de Pato Branco, Alexandre Pato, é um craque nato ou foi desenvolvido e formado ao longo de sua prática?      

     O Internacional de Porto Alegre se vangloria por ter formado o garoto, mas será que este mérito é realmente do clube?             

     Durante o trabalho de base do Inter, foram abordados todos os aspectos que formam um atleta, como trabalhos tático, técnico, físico e psicológico? Ou seriam natas às qualidades do atleta e este, sozinho, as aperfeiçoou naturalmente ao longo de sua prática?     

     Neste caso, acredito que o ambiente e estímulos apenas o ajudaram, mas não foi o diferencial. Porém, se o atleta foi formado, porque outros Patos não surgem com tal facilidade? Será que um garoto que recebe os estímulos necessários para ser um atleta de futebol na idade certa, respeitando seus ciclos de crescimento e desenvolvimento não pode tornar-se um atleta de ponta?     

     O Robinho diz que aprendeu driblar brincando com o seu cachorro e não nos treinamentos, já que esses não trabalham os aspectos técnicos. Ou seja, os que sabem driblar, driblam já os que não sabem não recebem estímulos para desenvolver tal habilidade.    

     Se as equipes de base focassem em formar atletas e não em descobri-los, teríamos uma mão de obra muito qualificada. Ao invés de termos um Pato na equipe e depender dele para vencer o jogo, existiriam vários “Patos”. Um em cada posição, respeitando cada função necessária para a formação de uma equipe.   

     Assim, as chances de vitória aumentariam, pois mais atletas capacitados existiriam em campo para resolver as situações problemas que ocorrem nos jogos. Tendo então mão-de-obra qualificada, o Treinador poderia intensificar treinamentos visando dominar a maior gama de variáveis do jogo e não dependeria do craque do time estar em um “dia feliz”.    

     Um Treinador capacitado e com o domínio dos aspectos citados acima, vencerá com maior freqüência e não apenas em um ou outro campeonato. Tal qual um atleta, que também domina esses aspectos, terá uma carreira sempre destacada, valorizada e regular. Este não brilhará numa temporada e perderá seu brilho por outras duas, ou então, terá um excelente desempenho num jogo e passará cinco sem ter boas atuações.    

    É fato que ninguém nasce sabendo ler e escrever, e sim aprende de acordo com a idade em que está apto a isto. Uns lêem melhor que outros dependendo dos estímulos que receberam, da metodologia e capacidade de seus professores e do ambiente em que viveram.

                                                           por Linneu Netto